Dois anos depois de atingir uma granja no Rio Grande do Sul, a doença de Newcastle volta a ser detectada em aves brasileiras, desta vez no município de Nova Itaberaba (SC).

O caso foi confirmado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em uma granja comercial de perus, que abriga cerca de 6 mil aves.

Conhecida pela forte presença do peru Sadia, a MBRF sofreu desvalorização em suas ações na B3 após a divulgação do caso. Os papéis chegaram a cair quase 7% no meio da tarde, mas fecharam com recuo de 4,43%, cotados a R$ 18,14.

As ações da JBS, que também tem forte operação em aves por meio da marca Seara, tiveram queda de 1,96%.

A ABPA, Associação Brasileira de Proteína Animal,  se manifestou por meio de nota conjunta com entidades que representam produtores e indústria de aves em Santa Catarina, para dizer que “acompanham o caso”, junto ao Mapa e à Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária em SC.

O texto destaca que “a ocorrência não apresenta manifestação clínica, ou seja, houve a detecção do vírus, mas não da doença nos animais confinados”.

A ABPA, a ACAV e o Sindicarne-SC ressaltaram que se trata de uma questão de sanidade animal, restrita ao âmbito da produção, e não de segurança dos alimentos.  “Não há qualquer relação ou risco no consumo do produto.  Trata-se de uma ocorrência sanitária que demanda medidas no ambiente produtivo”.

As lideranças voltaram a afirmar que “o Brasil dispõe de um sistema de defesa sanitária estruturado, com protocolos de vigilância, prevenção e resposta a ocorrências dessa natureza, incluindo medidas de contenção e controle sanitário previstas na legislação vigente”.

No episódio registrado em julho de 2024, em uma granja comercial de Anta Gorda, no Rio Grande do Sul, houve impacto imediato no comércio internacional de carne de frango, mas o foco foi controlado rapidamente e as restrições foram sendo reduzidas.

A expectativa é de que o Ministério da Agricultura suspenda preventivamente as exportações, comunicando os países compradores, a começar pela China.

Há dois anos os embargos nas exportações de produtos avícolas chegaram a alcançar 44 países, com diferentes abrangências.

Se os procedimentos forem semelhantes desta vez, a tendência é de que no prazo de um mês os principais mercados retomem as compras do Brasil, mas com chance de deixarem de fora o estado afetado, Santa Catarina, que só teria uma liberação posterior.

No ano passado, os catarinenses responderam por cerca de 25% da receita do Brasil com exportações de aves.

Resumo

  • MBRF registra queda de 4,43% nas ações em movimento influenciado pela confirmação da doença de Newcastle em Santa Catarina
  • Caso de Newcastle foi registrado em granja comerciais de perus que abriga 6 mil aves
  • Ministério da Agricultura deverá declarar o autoembargo, suspendendo exportações para determinados mercados, seguindo a postura adotada em caso semelhante de 2024