Durante muito tempo, a agricultura regenerativa esteve associada a experiências desenvolvidas em propriedades menores, com sistemas produtivos mais diversificados e condições que nem sempre poderiam ser reproduzidas nas grandes operações agrícolas brasileiras.
Mas esse cenário começou a mudar nos últimos anos, à medida que alguns dos maiores grupos agrícolas do País incorporaram práticas regenerativas às suas estratégias de produção.
No fim do dia, a adoção das práticas regenerativas começa a se traduzir em ganhos de produtividade e eficiência – e, potencialmente, na geração de créditos de carbono – também nas operações em larga escala.
É o que mostram as experiências de duas gigantes do agronegócio brasileiro, a SLC Agrícola e a Amaggi, que vêm desenvolvendo estratégias para inserir essas práticas em suas operações, com abordagens diferentes, mas um objetivo em comum: demonstrar que a conservação dos recursos naturais também pode gerar valor econômico.
Na SLC, a agricultura regenerativa passou a integrar o planejamento corporativo em 2022 e ganhou espaço nas operações ao longo dos últimos anos.
Atualmente, a companhia da família Logemann possui dez fazendas certificadas, que somam 325.769 hectares, e pretende ampliar essa área para aproximadamente 550 mil hectares até 2030.
“A gente vai criar agora uma plataforma de crescimento de 40 a 50 mil hectares por ano até 2030/2031”, diz Leonardo Celini, diretor de operações da companhia, em entrevista ao AgFeed.
Acompanhando o avanço da quantidade de fazendas certificadas, a produtividade média da SLC tem evoluído nos últimos anos.
Na safra 2025/2026, a companhia obteve 69,2 sacas de soja por hectare considerando área de aproximadamente 430 mil hectares.
No algodão, a produtividade também atingiu uma marca histórica, superando 143 arrobas de fibra por hectare num contexto de mais de 185 mil hectares de algodão plantado. No milho, foram 138 sacas de milho por hectare em uma área total de mais de 125 mil hectares cultivados.
Celini salienta que os resultados não são consequência exclusiva da agricultura regenerativa, mas, na avaliação da companhia, refletem os ganhos acumulados com a combinação de práticas de conservação do solo, diversificação de culturas e tecnologias de manejo adotadas ao longo dos últimos anos. “A gente saiu de 63 sacas de soja por hectares, 64, 66 e estamos agora nos últimos anos entre 67 e 69 sacos.”
Na Amaggi, a estratégia segue um caminho um pouco diferente, já que a companhia, além de grande produtora de grãos, também é uma das maiores comercializadoras de commodities da América Latina. Ao todo, 95% do volume das 22,5 milhões de toneladas de grãos e fibras comercializados anualmente pela companhia têm origem em produtores parceiros, enquanto a originação em áreas próprias responde por apenas 5% do total.
Por isso, a empresa da família Maggi optou por concentrar sua atuação em agricultura regenerativa no acompanhamento da evolução do estoque de carbono no solo, da biodiversidade e da redução de suas emissões de gases de efeito estufa de suas propriedades próprias e também de produtores parceiros.
“Monitoramos a produtividade, mas essa questão é complexa para se testar agricultura regenerativa porque tem muitas variáveis que dificultam atrelar [a produtividade] às práticas regenerativas: se choveu na época certa, se não choveu, o tipo de semente que você aplicou ou escolheu…. A gente prefere, então, monitorar o carbono, porque o carbono no solo significa que você está fazendo um bom manejo”, diz Fabiana Reguero, gerente de sustentabilidade da Amaggi, ao AgFeed.
Nesse contexto, a companhia criou, em 2023, um programa chamado Amaggi Regenera, que certifica propriedades próprias e de produtores parceiros que adotam práticas de agricultura regenerativa.
A empresa passou três anos desenvolvendo a iniciativa em parceria com Embrapa e IPAM e, além de trabalhar com a melhoria da saúde do solo, o programa busca aumento da biodiversidade e engajamento de pessoas, como produtores rurais e outros stakeholders.
Atualmente, a iniciativa da Amaggi abrange aproximadamente 90 mil hectares, distribuídos entre três fazendas próprias da companhia, que somam 80 mil hectares, e quatro propriedades de produtores parceiros, que somam 10 mil hectares.
Em paralelo, uma propriedade da Amaggi também é certificada pela Regenagri, programa internacional voltado à avaliação e à certificação de práticas de agricultura regenerativa, utilizado por grandes companhias agrícolas ao redor do mundo.
Mesmo com pouco tempo de operação, o Amaggi Regenera já apresenta indicadores relevantes. Em uma das fazendas participantes, o estoque de carbono no solo é 45,5% superior à média nacional utilizada como referência pela companhia, segundo Reguero. Já as emissões associadas à produção de soja nas fazendas monitoradas estão, em média, cerca de 75% abaixo do parâmetro nacional adotado, afirma a executiva.
A estratégia é utilizar as fazendas da companhia como ambientes de experimentação para testar práticas, avaliar resultados e, posteriormente, levar as soluções economicamente viáveis aos produtores que fornecem grãos à trading.
"Nossas fazendas próprias acabam sendo um campo experimental, onde a gente testa, vê se funciona, vê se economicamente para de pé e vê se realmente foi bom para os indicadores que a gente monitora", afirma Ruguero.
A iniciativa também está relacionada às metas de descarbonização assumidas pela companhia, uma vez que as emissões associadas à produção agrícola, tanto nas fazendas próprias quanto nas de fornecedores, têm peso importante no inventário de gases de efeito estufa do grupo.
A meta da Amaggi é reduzir as emissões em 50,4% dos escopos 1 (emissões diretas da companhia) e 2 (emissões indiretas), e 30% do escopo 3 (emissões de clientes e fornecedores) até 2032.
Na categoria FLAG (Floresta, Terra e Agricultura), relacionada a emissões do uso da terra, a companhia se comprometeu a reduzir as emissões dos escopos 1 e 3 em 17% até 2032.
Na SLC, a agricultura regenerativa passou a integrar a agenda corporativa da companhia em 2021, quando a companhia também decidiu interromper a expansão agrícola sobre áreas de vegetação nativa, direcionando novas operações para áreas já abertas, como pastagens degradadas.
Assim como a Amaggi, a SLC também inseriu a agenda de agricultura regenerativa dentro de sua meta de descarbonização: a companhia gaúcha se comprometeu a alcançar a neutralidade de carbono – quando a quantidade de CO2 emitida na atmosfera é igual à quantidade removida ou compensada – nos escopos 1 e 2 até 2030.
Mas Leonardo Celini, diretor de operações da SLC, ressalta que a maioria das práticas hoje abarcadas pelo conceito de agricultura regenerativa, como o plantio direto e o manejo eficiente dos insumos agrícolas, já vinha sendo adotada pela companhia havia décadas.
"A SLC já fazia 95% das práticas de agricultura regenerativa. O que a gente precisava fazer só é ajustar esse bom manejo, essas práticas, para uma combinação da atualização moderna do uso de agricultura regenerativa e através dela buscar essa certificação", afirma o executivo.
A companhia buscou, então, certificar suas propriedades por meio do programa internacional Regenagri.
Assim atingiu as dez fazendas com práticas sustentáveis certificadas pelo Regenagri, totalizando 325 mil hectares. A extensão das áreas certificadas, entretanto, não deve ser confundida com a área total de operação da companhia.
De acordo com Celini, as práticas regenerativas já estão presentes em todas as 26 fazendas da SLC, distribuídas por oito estados brasileiros, que deverão somar aproximadamente 855 mil hectares plantados na safra 2026/2027, considerando primeira e segunda safras.
Apesar dos diferentes estágios de implantação e certificação, os dois grupos compartilham a avaliação de que os resultados ambientais e produtivos não aparecem de uma safra para outra.
"Você não consegue construir um projeto de agricultura regenerativa em um, dois anos. Tem que ser persistente, insistente", diz Celini, que estima um período de quatro a seis anos para que os resultados se tornem mais consistentes.
Nas fazendas Pamplona e Planalto, em Goiás, que estão entre as primeiras unidades da SLC a avançar nesse processo, Celini diz que algumas áreas vêm alcançando produtividades superiores a 85 sacas de soja por hectare, acima da média registrada pela companhia na última safra – que foi de 69,2 sacas de soja por hectare.
"Essas fazendas vêm demonstrando uma constância e uma evolução de produtividade nas três principais culturas em que atuamos: soja, milho e algodão", afirma Celini.
Na Amaggi, a metodologia de agricultura regenerativa contempla mais de 15 práticas agrícolas, incluindo plantio direto, rotação e consórcio de culturas, plantas de cobertura, agricultura de precisão, manejo integrado de pragas, uso de produtos biológicos e sistemas integrados de produção, entre outras.
Além disso, o programa também abrange iniciativas que não estão diretamente relacionadas ao solo, como o uso de energias renováveis na lavoura. Com isso, a utilização de B100 (biodiesel puro) nas operações agrícolas – que tem sido promovida pela Amaggi desde 2023, também entra na iniciativa.
Na safra 2025/2026, por exemplo, a companhia colheu sua primeira safra de soja com maquinário totalmente movido a B100 na Fazenda Sete Lagoas, em Diamantino (MT).
“Apesar dessa prática não estar 100% atrelada à agricultura generativa, é uma prática que ajuda a calcular a pegada de emissão de CO2”, justifica Fabiana Ruguero, gerente de sustentabilidade da Amaggi.
Na SLC, o protocolo de práticas regenerativas reúne técnicas similares às da Amaggi, como plantio direto, rotação de culturas agrícolas, integração lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta, conservação de habitats naturais, uso eficiente da água, plantas de cobertura e aplicação localizada de defensivos e fertilizantes.
Uma das principais frentes está no cultivo de plantas de cobertura, que já ocupam aproximadamente 260 mil hectares nas fazendas da companhia.
Diferentemente da soja, do milho e do algodão, essas espécies não são cultivadas pela SLC necessariamente com finalidade comercial, mas sim para proteger o solo, estimular a atividade dos microrganismos e favorecer a ciclagem de nutrientes.
Em algumas regiões onde a empresa atua, como no Oeste da Bahia, essas práticas ganham importância adicional diante das irregularidades no regime de chuvas. “É o nosso seguro na Bahia”, avalia Celini.
Por lá, a SLC cultiva mais de 10 mil hectares de braquiária, que é utilizada tanto para manter o solo coberto quanto para reciclar nutrientes presentes em camadas mais profundas, caso do potássio, por exemplo.
Custos da operação
Para compensar parte dos custos adicionais, a SLC vem combinando a adoção das práticas regenerativas com ferramentas de agricultura digital e de precisão, buscando ganhos de eficiência em outras etapas da produção.
Durante a safra 2025/2026, essas tecnologias permitiram uma redução de 6,8% no consumo de defensivos químicos, resultado superior aos 5,15% registrados no ciclo anterior.
Um exemplo desses ganhos está na pulverização localizada de herbicidas. Em 21 unidades da companhia, em vez de distribuir os produtos uniformemente por toda a lavoura, sensores embarcados nos pulverizadores identificam os pontos que necessitam de intervenção e direcionam o tratamento apenas para essas áreas.
Com essa estratégia, a SLC estima ter reduzido em 68% o volume de herbicidas utilizado nas áreas atendidas pela tecnologia, que somaram 278,8 mil hectares na safra 2025/26, ante 227 mil hectares no ciclo anterior. "É uma economia violenta", comenta Celini.
Já na safra 2024/25, a SLC havia colhido bons resultados ao fazer aplicações localizadas em aproximadamente 730 mil hectares. A estratégia proporcionou à companhia uma economia próxima de R$ 60 milhões em insumos previstos no planejamento agrícola. “Isso gerou uma economia de cerca de R$ 83 ou R$ 85 por hectare”, diz Celini.
Ainda com o objetivo de equilibrar os custos de produção, a SLC também decidiu rever sua estratégia de produção de bioinsumos, reduzindo o número de biofábricas on-farm após ter investido fortemente nesse modelo no início da década, com a instalação de unidades próprias dentro das fazendas.
A companhia chegou a operar 14 biofábricas, mas vem diminuindo essa estrutura. Atualmente, mantém entre cinco e seis unidades em funcionamento, segundo Celini.
De acordo com o executivo, a mudança está relacionada a dois fatores: preocupações do comando da empresa quanto à segurança sanitária e de legislação do modelo on-farm e a diminuição do custo dos bioinsumos disponíveis no mercado.
“Houve, fortemente, uma redução dos preços dos biológicos”, diz Cellini, ressaltando ainda que a evolução tecnológica permitiu a garantia de entrega de produtos com qualidade mesmo que viajando longas distâncias. Hoje quase 20% do consumo da SLC é de biológicos.
Para o diretor de operações da SLC, esse equilíbrio é o que determina se a agricultura regenerativa poderá se sustentar economicamente em operações de grande porte.
"Não adianta você produzir muito com um custo muito alto. Você tem que encontrar a melhor yield de rentabilidade", afirma.
"Prêmio" por commodity regenerativa e crédito de carbono
As companhias não abrem o valor total que vem investindo em agricultura regenerativa, mas os recursos destinados a iniciativas específicas dão uma dimensão do custo de levar essas práticas para operações de grande escala.
A Amaggi, por exemplo, investiu R$ 120 milhões em uma biofábrica inaugurada em 2025, em Cuiabá (MT). Já a SLC Agrícola destina cerca de US$ 12 milhões (aproximadamente R$ 60 milhões) à aquisição de produtos biológicos para seu pacote agronômico.
Para a companhia da familia Maggi, o principal desafio para inserção da agricultura regenerativa em larga escala é a disposição do mercado em pagar mais pelas commodities produzidas de forma sustentável.
A empresa já realiza comercializações pontuais envolvendo o padrão Regenagri, mas ainda não conseguiu comercializar produtos de fornecedores com a certificação Amaggi Regenera.
"Se a gente tivesse mais demanda de compra de produto, a gente poderia fazer [a certificação] em muitos mais produtores", afirma Fabiana Reguero.
Por enquanto, a própria Amaggi financia integralmente o programa de agricultura regenerativa, incluindo os custos de monitoramento e acompanhamento das propriedades participantes, sem cobrar dos fornecedores pela adesão.
A expectativa é que, à medida que compradores internacionais passem a valorizar os produtos regenerativos, seja possível certificar mais propriedades e criar mecanismos de remuneração para os agricultores.
A SLC também enfrenta dificuldades de obtenção de prêmio no momento de venda da commodity regenerativa que produz. “Não temos tido nenhum basis em soja e milho. Algodão sim, em casos específicos”, diz Leonardo Celini, diretor de operações da companhia.
Enquanto o pagamento de prêmios por commodities regenerativas ainda engatinha, as duas companhias tentam outras possibilidades de transformar a prática regenerativa em novas fontes de receita.
Na Amaggi, essa estratégia já deu origem a um projeto de créditos de carbono em uma propriedade de 25 mil hectares, a Fazenda Corumbiara (RO), que vem sendo desenvolvido em parceria com a empresa NaturAll Carbon desde o ano passado.
Segundo Fabiana Reguero, o projeto está em fase final de validação pela Verra, a maior certificadora de créditos de carbono do mercado internacional, com expectativa de emissão dos primeiros créditos entre o fim de 2026 e o início de 2027, condicionada à conclusão das etapas de validação e verificação necessárias.
Outra vez a empresa usa a experiência com uma fazenda própria para depois replicá-la em seus parceiros.
“Aprendemos bastante com a NaturAll Carbon em termos de desenvolvimento, de como é que funciona um projeto de crédito de carbono. Depois, queremos expandir esse programa para produtores que também queiram aderir”, diz Reguero.
A gerente de sustentabilidade da Amaggi também adianta que a companhia está estruturando outros dois modelos de projetos de carbono, com desenvolvedores diferentes, cujos detalhes deverão ser divulgados após o avanço das etapas de elaboração e certificação.
Na SLC, há dois projetos de geração de créditos de carbono associada à agricultura regenerativa, desenvolvidos em parceria com as empresas MyCarbon, da Minerva Foods, e Agrorobótica.
O projeto com a MyCarbon envolve 20 mil hectares de propriedades da companhia localizadas nos Estados de Piauí, Maranhão e Bahia. Já a parceria com a Agrobótica envolve 9 mil hectares da Fazenda Pioneira, de Querência (MT), que opera em conjunto com a Agro Penido.
Até o momento, não houve emissão de créditos desses projetos, que ainda estão em fase de desenvolvimento e monitoramento das práticas de agricultura regenerativa implementadas em cada área pertencente às iniciativas, segundo a SLC.
Celini vê potencial na geração de receitas com créditos de carbono, mas ressalta que ainda existem incertezas metodológicas e regulatórias para que esse mercado se torne uma fonte mais relevante de recursos.
“Acho que tem muita coisa para acontecer de forma geral no Brasil e no mundo, que é impor as regras de formas claras”, diz.
Ainda assim, também é otimista sobre o futuro desse mercado para a companhia. “A SLC vai estar preparada no momento que isso estiver disponível e realmente a gente ter essa conjuntura de forma legal e realizada no Brasil, nós vamos estar preparados para oferecer o que tem de melhor, a gente vai estar bem preparado e eu acredito que nós vamos conseguir suportar, inclusive, o escopo 3”, afirma.
Nas duas empresas, portanto, a possibilidade de gerar receitas com carbono aparece como uma oportunidade futura, mas ainda não como o principal retorno econômico da agricultura regenerativa.
Para Fabiana Reguero, gerente de sustentabilidade da Amaggi, o desafio de ampliar essas práticas também depende de uma mudança na maneira como o agronegócio financia suas operações.
Enquanto os benefícios da regeneração podem levar anos para aparecer, boa parte do crédito rural continua estruturada em ciclos anuais, com pagamentos vinculados ao resultado de uma única safra.
Essa diferença entre o prazo dos investimentos e o prazo de retorno financeiro pode desestimular produtores a assumir custos adicionais, especialmente quando não existe garantia de remuneração diferenciada pelos produtos.
“Nós estamos falando de um programa que é um programa de visão de longo prazo. Mas como é que o produtor vai, de repente, adotar uma prática regenerativa se ele precisa pagar o financiamento no final da safra? Acho que tem toda uma questão de repensar as formas de financiamento ou de valorização do produtor rural", avalia a executiva, defendendo maior participação de bancos, tradings e compradores no financiamento da transição.
Resumo
- SLC Agrícola já tem 325,7 mil hectares certificados em agricultura regenerativa e pretende alcançar 550 mil hectares até 2030
- Amaggi tem 90 mil hectares em programa de agricultura regenerativa e registra, em uma das fazendas, estoque de carbono no solo 45,5% superior à média nacional
- Agricultura regenerativa traz ganhos de eficiência, mas custos e remuneração adicional para grandes grupos agrícolas