A Klabin encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 393 milhões, o que representou uma queda de 18% em relação ao mesmo período do ano passado.
As informações foram divulgadas pela companhia nesta quarta-feira, 28 de outubro, no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O resultado mais fraco, segundo a companhia, foi influenciado pelo período de valorização do real, elevação dos custos industriais e despesas adicionais com medidas preventivas contra os efeitos do fenômeno El Niño.
A fabricante de papel, celulose e embalagens registrou receita líquida de R$ 5,57 bilhões, crescimento de 3% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e de 8% na comparação com o trimestre anterior.
Por outro lado, o EBITDA ajustado somou R$ 1,86 bilhão, queda de 12% em um ano, com redução da margem do indicador de 39% para 33%.
"No terceiro trimestre de 2026, a Klabin manteve a consistência de seus resultados, sustentada pela execução disciplinada de sua estratégia comercial, pela flexibilidade operacional de seus ativos e pela diversificação de seu portfólio", afirmou a companhia na mensagem oficial que acompanha o balanço.
O custo caixa por tonelada, incluindo os efeitos das paradas de manutenção, alcançou R$ 3.483, aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2025.
Segundo a Klabin, as medidas preventivas contra o El Niño acrescentaram R$ 111 por tonelada aos custos, enquanto as pressões sobre insumos e fretes, associadas aos conflitos geopolíticos, representaram outros R$ 66 por tonelada.
A companhia informou ter obtido uma economia de R$ 13 milhões com ações de eficiência e gestão de custos variáveis.
No trimestre, o volume comercializado somou 1,06 milhão de toneladas, praticamente estável em relação ao ano anterior.
A receita de celulose cresceu 6%, para R$ 1,51 bilhão, impulsionada principalmente pela recuperação dos preços internacionais da fibra curta, que avançaram 18% em dólar na comparação anual.
"No segmento de celulose, o portfólio diversificado seguiu como importante diferencial competitivo", destacou a Klabin, acrescentando que a combinação de fibra curta, fibra longa e fluff permitiu aproveitar oportunidades em diferentes mercados.
Na divisão de papéis, a receita aumentou 4%, para R$ 1,89 bilhão, com destaque para o crescimento de 23% nas exportações de papel-cartão em volume.
Já o segmento de embalagens registrou faturamento de R$ 2,01 bilhões, recuo de 1%, enquanto o volume vendido caiu 3%.
Alta do dólar
A disparada do dólar após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou o cenário cambial para a Klabin, que encerrou o terceiro trimestre sob os efeitos da valorização do real.
Na segunda-feira, 26 de outubro, primeiro pregão após o segundo turno, a moeda americana avançou 8,25%, enquanto as units da Klabin (KLBN11) registraram valorização de 3,24% e as ações ordinárias (KLBN3) subiram 5,14%.
O desempenho positivo das ações é atribuído pelo mercado à perspectiva de aumento das receitas em reais das exportadoras, beneficiadas pela valorização do dólar. No caso da Klabin, parte relevante das vendas está vinculada ao mercado internacional.
Até o momento, a companhia não divulgou uma manifestação pública específica sobre os efeitos da alta do dólar após a eleição em seus resultados, custos e endividamento.
O tema poderá ser abordado na teleconferência de resultados do terceiro trimestre, prevista para quinta-feira, 29 de outubro.
Investimentos sobem
A Klabin ampliou investimentos em praticamente todas as principais frentes operacionais no terceiro trimestre, com destaque para a manutenção industrial e as atividades florestais.
No total, os desembolsos para o CAPEX chegaram a R$ 754 milhões entre julho e setembro, aumento de 36% na comparação anual e de 15% frente ao segundo trimestre.
Do montante, R$ 340 milhões foram destinados à continuidade operacional das fábricas, crescimento de 71% em relação ao mesmo período de 2025.
Outros R$ 293 milhões foram aplicados em silvicultura e compra de madeira em pé, alta de 35%. A modernização da unidade de Monte Alegre, no Paraná, recebeu R$ 103 milhões.
No acumulado de janeiro a setembro, os investimentos totalizaram R$ 2,25 bilhões, avanço de 24% em relação aos R$ 1,81 bilhão registrados nos primeiros nove meses do ano passado.
A maior parcela, de R$ 846 milhões, foi destinada às atividades florestais, principalmente em razão do aumento da área plantada. A continuidade operacional absorveu R$ 827 milhões, enquanto a modernização da caldeira de recuperação de Monte Alegre recebeu R$ 511 milhões.
A companhia mantém previsão de investimentos de R$ 3,3 bilhões para 2026, dos quais R$ 1,4 bilhão destinados à continuidade operacional, R$ 1,1 bilhão à silvicultura, R$ 700 milhões à modernização de Monte Alegre e R$ 200 milhões a projetos especiais.
Apesar do aumento dos desembolsos, a Klabin encerrou o trimestre com geração de caixa livre de R$ 73 milhões, revertendo o resultado negativo de R$ 236 milhões registrado entre abril e junho.
O endividamento líquido atingiu R$ 23,98 bilhões, redução de 8% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado em dólares, ficou em 3,3 vezes, ante 3,6 vezes um ano antes.
No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, o EBITDA ajustado da Klabin somou R$ 5,49 bilhões, queda de 9% em relação aos R$ 6,02 bilhões registrados no mesmo período de 2025. A margem EBITDA ajustada recuou de 39% para 35%.
No acumulado dos nove primeiros meses, entretanto, o lucro líquido somou R$ 283 milhões, queda de 81% em relação ao mesmo período de 2025.
A Klabin distribuiu R$ 1,2 bilhão em proventos aos acionistas nos últimos 12 meses, equivalente a um dividend yield de 5,2%.
Resumo
- Klabin registrou lucro líquido de R$ 393 milhões no terceiro trimestre, uma queda de 18% em relação ao mesmo período de 2025
- Dívida líquida da companhia caiu 8% em um ano, enquanto alavancagem recuou para 3,3 vezes
- Receita de celulose cresceu 6% graças à recuperação dos preços internacionais da fibra curta