Um sinal amarelo foi aceso no alto comando da paranaense Frimesa, uma das maiores cooperativas agropecuárias do País, com sede administrativa em Medianeira (PR).
A cooperativa surpreendeu o mercado ao anunciar uma série de medidas de contenção de despesas para os próximos meses, num comunicado interno que passou a circular nas redes sociais a partir do fim da tarde de terça-feira, 27 de outubro.
De acordo com o documento, obtido pelo AgFeed e assinado pelo presidente executivo, Elias José Zydek, as medidas foram tomadas em função de "dificuldades econômicas e financeiras enfrentadas neste ano de 2026 e as previsões orçamentárias apertadas devido ao cenário preocupante para o Brasil nos próximos meses."
Entre as medidas, a Frimesa determinou a suspensão de deslocamentos para encontros, eventos e reuniões de trabalho, que deverão passar a ocorrer no modo on-line.
As restrições abrangem todas as unidades industriais, logísticas, comerciais e administrativas da companhia, que também decidiu suspender patrocínios de eventos de fim de ano, a distribuição de brindes e a realização de doações no ambiente interno.
O comunicado determina ainda o cancelamento de contribuições, doações e patrocínios destinados a entidades, empresas, autoridades e pessoas externas à cooperativa.
"O momento exige responsabilidade, austeridade e comprometimento de todos", concluiu a Frimesa.
O tom de austeridade adotado pela cooperativa contrasta com o discurso de expansão que vinha marcando os anúncios da Frimesa ao longo dos últimos meses.
No início do ano, a companhia anunciou a intenção de destinar cerca de R$ 120 milhões a ações de comunicação, embalagens e marketing, como parte de uma estratégia para ampliar sua presença em mercados nos quais ainda possui baixa penetração, especialmente São Paulo, o maior mercado consumidor do País.
Para avançar nesse objetivo, a Frimesa inaugurou um escritório comercial na capital paulista, buscando estreitar o relacionamento com as grandes redes varejistas.
A aposta na maior visibilidade da marca também passou pelo futebol. Em janeiro passado, a cooperativa renovou seu contrato de patrocínio com o Corinthians até o fim de 2026, mantendo seu logotipo estampado no ombro direito da camisa dos jogadores.
Em paralelo aos investimentos comerciais e de marketing, a Frimesa também abriu um centro de distribuição em Brasília, com capacidade para expedir 1,2 mil toneladas de produtos por mês.
De acordo com a cooperativa, a unidade foi concebida para reduzir os prazos de entrega e ampliar a presença da companhia na região central do País.
O movimento de expansão vinha sendo sustentado por um histórico recente de crescimento das receitas da Frimesa.
No ano passado, o faturamento foi de R$ 7,04 bilhões, avanço de 7% em relação ao ano anterior e recorde na história da cooperativa.
Embalada pelos resultados, a cooperativa chegou a anunciar, no início de 2026, a ambiciosa meta de alcançar R$ 15 bilhões em receitas até 2032, mais que o dobro do patamar atual.
Agora, diante do aperto financeiro admitido pela própria administração, a trajetória para atingir esse objetivo ganha uma dose adicional de incerteza.
Por enquanto, a Frimesa não informou se as medidas de austeridade terão impacto sobre os investimentos anunciados anteriormente ou sobre o planejamento de expansão da cooperativa.
Mas a mudança de discurso indica que, ao menos no curto prazo, a prioridade passou a ser a contenção de despesas.
Questionada pelo AgFeed via assessoria de imprensa para trazer mais detalhes sobre as mudanças de rumo da cooperativa, a Frimesa não respondeu até o fechamento desta reportagem.
Resumo
- Frimesa corta despesas e suspende viagens, patrocínios, doações e eventos após admitir dificuldades econômicas e financeiras em 2026
- Cooperativa também justificou decisão por "cenário preocupante para o Brasil" nos próximos meses e aperto orçamentário
- Medidas de austeridade contrastam com investimentos em marketing, expansão comercial e logística anunciados neste ano