Lucro líquido maior com bom desempenho operacional. Esse foi o retrato da SLC Agrícola no segundo trimestre de 2026. Mas segundo o CEO da companhia, Aurélio Pavinato, o cenário deve melhorar ainda mais na safra 2026/2027.

A SLC conseguiu atingir uma produtividade recorde em soja e algodão na safra 2025/2026, que se encerra oficialmente neste mês de agosto, com a colheita das duas safras de algodão e da segunda safra de milho.

No caso da soja, a produtividade cresceu mais de 4,7% em relação à safra 2024/2025, passando de 3,9 toneladas por hectare para 4,1 toneladas por hectare. Isso fez com que o resultado bruto por hectare passasse de R$ 508 na última safra para R$ 530 na atual.

Mas o melhor resultado veio do algodão. Na primeira safra, a produtividade aumentou mais de 20% em um ano, chegando a 2,2 toneladas por hectare. A segunda safra teve desempenho mais modesto, com aumento de 3% na produtividade, superando as 2 toneladas por hectare.

As vendas de algodão no segundo trimestre de 2026 cresceram quase 22% em relação ao mesmo período de 2025, e o resultado bruto por hectare avançou mais de 9%, para R$ R$ 3.634 por hectare.

Assim, a SLC obteve um aumento de 75% no lucro entre abril e junho deste ano, comparado ao ano passado, de R$ 245 milhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) fechou o período em R$ 580,5 milhões, avanço anual de 4%.

A receita líquida total chegou a R$ 2,1 bilhões no trimestre, um avanço de quase 17% ante o número de um ano antes.

E Pavinato está otimista para o restante do ano. “A perspectiva é de que teremos lucro em todos os trimestres deste ano, ao contrário do que ocorreu em 2025”, afirma.

Além da melhora na produtividade conseguida pela SLC, o executivo afirma que o mercado de commodities agrícolas está “saindo do fundo do poço” em termos de preço. “Estamos com demanda maior que a oferta em algodão e milho e a soja está com oferta e demanda nivelados”.

No caso do algodão, ele revela que tem conseguido vender o produto a US$ 0,78 por libra/peso no mercado à vista. Nos contratos futuros, o preço está ainda melhor. Na Bolsa de Nova York (ICE/NYBOT), os contratos para outubro estão acima de US$ 0,84.

Na soja, Pavinato relata que já consegue, no mercado à vista, algo perto de US$ 12 por bushel, medida utilizada nos Estados Unidos que corresponde a aproximadamente 27 quilos. Em 2025, a cotação estava próxima de US$ 11.

Questionado se esse otimismo poderia ser impactado pelos efeitos do El Niño, o CEO da SLC afirma que o cenário é muito favorável. “Nós estamos colhendo o algodão agora, com um cenário de preço muito favorável. No ano passado, foi o contrário. Colhemos com queda nas cotações”.

Ele completa dizendo que os conflitos geopolíticos, especialmente entre EUA e Irã, beneficiam muito o algodão. “O preço do petróleo aumentou, e levou o poliéster junto. Então, temos uma demanda crescente, e vários problemas de produção na Austrália, na Índia e até mesmo nos Estados Unidos”, conta.

Fertilizantes já comprados

Outro ponto destacado pelo CEO da SLC é a estratégia de antecipação de compra de fertilizantes. “Nós compramos 100% do fósforo para a safra 26/27 antes do início da guerra entre Estados Unidos e Irã”, conta.

Nos outros insumos, a companhia também já está bem adiantada. A SLC já tem 96% dos defensivos que utilizará na safra 26/27, 90% do cloreto de potássio e 70% dos nitrogenados.

O “ponto fraco” do balanço da SLC está no custo de produção. A companhia estima que esse indicador será 9,6% maior ao final da safra 25/26, em relação ao período anterior.

Segundo a companhia, em nota explicativa que acompanha os números, houve um aumento no volume de fertilizantes, por necessidade de reposição de nutrientes no solo, e reforço no pacote de defensivos.

Resumo

  • SLC aumenta o lucro em 75%, impulsionada por produtividade recorde em soja e algodão e receita 17% maior
  • Companhia projeta safra 2026/2027 mais rentável, com melhora nos preços de soja, milho e algodão
  • Estratégia de compra antecipada de fertilizantes reduz riscos, apesar da alta de quase 10% nos custos de produção