A JBJ Agropecuária, do empresário José Batista Júnior, o Júnio Friboi, terá de esperar mais do que o previsto para incluir o megaconfinamento da Fazenda Conforto entre os ativos com os quais pretende formar a maior operação pecuária do País e uma das maiores do mundo.

O prazo maior se deve ao despacho emitido na noite desta terça-feira, 5 de maio, pelo superintendente gral do Conselho Administrativo de Direito Econômico (Cade), Alexandre Barreto de Souza, em resposta ao pedido das empresas para que órgão utilizasse o rito sumário para apreciação da transação de venda da Conforto para a JBJ, um dos maiores M&As do segmento nos últimos tempos.

Anunciado há duas semanas, o negócio, que não teve valores divulgados, é avaliado pelo mercado em mais de R$ 1 bilhão.

Souza indeferiu o pedido e determinou que a análise do Cade siga o rito ordinário, o que pode estender o processo a pelo menos seis meses, podendo chegar a um ano.

Diante da nova situação, as duas empresas devem voltar a conversar para definir se mantêm ou não a transação, apurou o AgFeed.

A visão do superintendente do Cade é que o caso não se enquadra como procedimento sumário porque restam “dúvidas quanto à participação conjunta de mercado das partes, a qual pode ser superior a 20% ou até 50% com variação de delta HHI superior a 200 pontos para mercado horizontalmente sobreposto, ou de dúvidas quanto a participações de mercado em mercados verticalmente integrados”.

Apesar de atuarem em um setor altamente pulverizado, como o de terminação de bois para o abate em frigoríficos, as dimensões das duas estruturas podem ter justificado a cautela do autarca.

A JBJ, que hoje diz já possuir o maior confinamento de gado do Brasil, com capacidade anual de receber 540 mil animais, sendo 180 mil estáticos, em todas as suas unidades.

A empresa de Júnior Friboi atua em todas as etapas da pecuária, contando com fazendas de cria dedicadas à seleção e produção de bezerros e bezerras das raças Nelore e Angus, fazendas de recria e confinamento.

Parte do rebanho da JBJ abastece frigoríficos de Júnior Friboi, reunidos sob a marca Prima Foods, mas a maior parcela segue para unidades da JBS, da qual a JBJ é uma das principais fornecedoras.

A Conforto também está entre as principais fornecedoras da JBS – empresa da qual Júnior já foi CEO e acionista, tendo deixado o grupo em 2013, após vender sua participação aos irmão Wesley e Joesley Batista.

Comandada por Sérgio Pellizzer, genro do fundador da fazenda, Alexandre Negrão, falecido em 2023, a Conforto deu escala industrial à atividade de confinamento.

A propriedade, localizada em Nova Crixás (GO), tem 12 mil hectares e tem capacidade estática para receber 76 mil animais e giro anual estimado em 180 mil cabeças.

Em 2023, atingiu à marca histórica de 1,5 milhão de animais abatidos. No ano passado, faturou mais de R$ 1,2 bilhão.

Ali também funcionam uma planta de biofertilizantes, produzidos a partir dos resíduos do gado e uma fábrica de ração. A estrutura, incluída na transação, inclui silos de armazenamento de grãos, parque para geração de energia fotovoltaica, represa, 2 mil hectares com lavouras irrigadas com 16 pivôs e uma área de reserva que ocupa quase 30% da propriedade.

Nesta quarta-feira, 6 de maio, Pellizzer está realizando na fazenda a segunda edição do Conforto Experience, evento em que reúne mais de 1,2 mil pessoas para apresentar seus negócios e discutir as inovações da pecuária. Mais de 50 aviões pousaram na posta da propriedade transportando convidados.

No ano passado, a primeira edição do encontro movimentou, segundo Pellizzer, cerca de R$ 350 milhões em negócios.

Resumo

  • Cade rejeita rito sumário e impõe análise mais longa da compra da Fazenda Conforto pela JBJ
  • Órgão vê riscos de concentração de mercado e pede mais tempo para avaliar a operação
  • Decisão final do Cade sobre o caso pode demorar até um ano para ser proferida