A fabricante de máquinas agrícolas coreana LS Tractor tem um novo CEO no Brasil. Carlos Kim, que vinha liderando a companhia desde o início de 2025, deu vez à Mr. Bono (é com este nome que a empresa o apresenta).
A mudança se deu ao longo dos últimos meses e foi antecipada com exclusividade pelos executivos da empresa ao AgFeed.
Carlos Kim continua na LS Tractor, agora na operação dos Estados Unidos, onde assumiu como CEO do negócio. O novo líder da montadora coreana no Brasil também veio da terra do Tio Sam, onde atuava na área de estratégia de vendas e trabalha na companhia há cerca de 20 anos.
As semelhanças, no entanto, param por aí. Logo chegou ao Brasil, no começo de 2025, Carlos Kim criou um perfil no Instagram e rapidamente ganhou notoriedade pelo estilo expansivo, destoando tanto de antecessores quanto do perfil mais discreto da própria LS.
Carlos Kim veio justamente com a missão de melhorar a comunicação entre o board da empresa na Coreia do Sul e o time local.
Em entrevista ao AgFeed há pouco mais de um ano, chegou a dizer que aprenderia o idioma em um ano. Ainda assim, a barreira linguística não impediu uma integração rápida com a operação brasileira.
Carlos Kim constantemente aparecia em postagens confraternizando com as equipes da LS ou até mesmo abraçado ao cantor Leonardo, garoto-propaganda da marca, em feiras agropecuárias pelo país.
Nesse sentido, a chegada de Mr. Bono representa, de certa forma, uma volta ao padrão habitual da LS. O novo líder adotou uma postura discreta desde que assumiu o cargo. Neste primeiro momento, por exemplo, não pretende conceder entrevistas à imprensa.
Internamente, o perfil reservado também chama atenção: pessoas ligadas à LS ainda não conheciam sequer o rosto do executivo até pouco dias.
Apenas na última quinta-feira, 30 de abril, Bono fez sua primeira aparição pública, ao aparecer pela primeira vez em um vídeo publicado no perfil da empresa no Instagram, falando em inglês a maior parte do tempo.
Após se apresentar brevemente em português, ele convidou produtores a comparecerem ao estande da companhia na Agrishow, a maior feira de máquinas agrícolas da América Latina, realizada na semana passada em Ribeirão Preto (SP).
Expectativa de ano ‘flat’
O momento do setor de máquinas agrícolas é de resultados tão discretos quanto o estilo do novo líder da LS no País. Afinal, os produtores estão investindo menos em tecnologia e a tendência é de que o segmento continue retraído ao longo de 2026, com queda esperada de 8% pela Abimaq.
A LS encerrou o ano de 2025 com um leve crescimento em vendas, de 3%. "Foi uma vitória mantermos os números de 2024", analisa Felippe Vieira, diretor comercial da marca, que tem respondido como porta-voz da fabricante desde a saída de Carlos Kim.
A leitura da empresa é de que o setor já passou pelo pior momento e entrou em uma fase de recuperação, ainda que lenta. "Só que essa recuperação não é em V, pensando num gráfico. É uma recuperação mais flat", relata o executivo. "Continua subindo, mas não é uma recuperação tão brusca quanto a gente gostaria"
E o motivo é o mesmo que tem abatido o segmento de máquinas como um todo: juros altos e dificuldades dos produtores em acessarem crédito. "Está bem difícil para o produtor conseguir o acesso ao financiamento. Ele até tem dinheiro no banco, tem dinheiro do Pronaf, do Moderfrota, só que o rating subiu muito. A aprovação está mais complexa para o produtor", avalia Vieira.
O diretor comercial da LS avalia que as vendas do setor de máquinas serão puxadas pelos tratores de menor porte, de até 100 cavalos, em função de receitas menores que fazem com que o produtor rural de maior porte postergue a compra de novas tecnologias. “Já o pequeno produtor vai estar renovando a sua frota”, projeta.
Nesse contexto, no início deste ano a LS conseguiu obter um pequeno avanço, trazendo um breve alívio aos planos da montadora coreana. "No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, crescemos 12%”, diz Vieira.
Apesar do crescimento acelerado no início do ano, a expectativa da companhia é de que as vendas fiquem estáveis, registrando leve crescimento, que deve ficar ao redor de 2%, segundo Vieira, refletindo o momento atual de desaceleração do mercado. “Acreditamos num crescimento muito tímido”, resume.
Com portfólio concentrado em tratores de 25 a 145 cavalos de potência, a LS tem direcionado sua estratégia comercial para culturas especiais, que utilizam equipamentos de até 80 cavalos.
Assim, segmentos como hortifruti, café, avicultura e fumo seguem no foco da companhia e têm sustentado o desempenho comercial. No café, por exemplo, a empresa já alcança participação superior a 30% em algumas regiões, relata o diretor comercial da LS no Brasil.
Outro eixo de crescimento tem sido o segmento florestal. A LS desenvolveu adaptações específicas em seus tratores para operar nesse tipo de ambiente, com reforços estruturais e proteções adicionais.
“A gente desenvolveu um produto especial para a silvicultura. Outros fabricantes, talvez pelo tamanho deles, empresas maiores, com processos mais engessados, não conseguem ter essa agilidade de preparar o trator e de colocar proteções”, diz. “Isso porque, quando um trator entra na floresta, precisa ser transformado em praticamente um tanque de guerra."
A estratégia já abriu portas em grandes empresas do setor de celulose, como Eldorado e Klabin, que estão utilizando tratores da montadora. As máquinas da LS são utilizadas no processo de plantio de eucalipto, que necessita de equipamentos de menor porte.
Em paralelo, outra frente, a de crescimento geográfico, segue no radar da companhia, com foco em regiões como Nordeste e Centro-Oeste. Para avançar nessas regiões, a LS, no entanto, pretendia acelerar o ritmo de abertura de novas concessionárias em 2025, processo que ficou abaixo do planejado inicialmente.
A montadora esperava abrir 20 novas lojas em 2025, mas o avanço foi menor, refletindo as condições de mercado piores. Ao todo, foram abertas 10 unidades. A projeção da empresa é encerrar o ano em mais de 90 pontos de venda. “O plano é de mais de 100, na verdade, só que como o mercado está mais retraído, estamos com projeção de um pouco menos”, diz Vieira.
A LS também continua com planos de estar mais presente nas cooperativas agropecuárias do Brasil. “A gente está em negociações com algumas ,que a gente não pode abrir ainda”, se limitou a dizer Vieira. A montadora tem uma parceria bem sucedida com a mineira Cooxupé, a maior cooperativa de café do mundo, desde 2019.
Resumo
- LS Tractor tem novo CEO desde o começo de 2026: Mr. Bono, que sucede Carlos Kim
- Vendas da companhia devem ficar “flat” em 2026, com projeção de alta de 2%
- Foco em culturas especiais e silvicultura ajudam empresa a sustentar crescimento