As grandes reservas naturais do Brasil, especialmente a Amazônia, sempre atraíram os interesses de vários setores da economia. A indústria farmacêutica, mais especificamente, procura ali matéria-prima para novos medicamentos baseados em plantas medicinais nativas.
Mas desde 2022 a Apoena Biotech tem feito expedições para grandes biomas brasileiros para buscar outro tipo de solução.
A empresa já foi duas vezes à própria Amazônia e também a Fernando de Noronha em busca de microrganismos que possam ser a base de novos bioinsumos agrícolas.
Já neste mês de março, a Apoena Agro, comandada por Bruno Carillo, vai atrás destes poderosos seres microscópicos na Caatinga, que tem 70% de sua área localizada na região Nordeste e tem como característica períodos prolongados de seca.
“Acreditamos que a Caatinga tem um potencial gigantesco para a agricultura. Achar microrganismos que ajudem uma planta a precisar de menos chuva para se desenvolver seria algo de muito valor para os produtores”, afirma Carillo, em entrevista ao AgFeed durante o 3º Workshop de Inteligência de Mercado da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (Anpii Bio), realizado em Campinas (SP).
Ele lembra que a Embrapa já tem pesquisas avançadas com bactérias encontradas naquele bioma, que podem ser base tanto para herbicidas quanto para produtos que promovam desenvolvimento das plantas, segundo informa a própria estatal de pesquisa agropecuária.
Carillo conta que já foram feitas duas expedições para a Amazônia e outras duas para Fernando de Noronha.
“As pessoas tendem a acreditar que o solo na Amazônia é muito rico, mas não é. A riqueza ali está na diversidade e nas características únicas daquela região. Tem organismos que só encontramos lá”, explica.
Na história da Apoena, que começou em 2018, a empresa já desenvolveu 8 organismos que servem de base para produção de biológicos e cosméticos. Mas desses biomas, os estudos ainda estão em desenvolvimento.
“O que está mais avançado é um de Fernando de Noronha, que já está indo para a fase de teste de campo. Deve levar mais dois anos até o registro”, conta Carillo.
Sobre possíveis riscos ambientais, o CEO da Apoena Agro ressalta que todas as expedições são previamente autorizadas pelo Ibama. E que a amostra de material recolhido é muito pequena.
“Para esse produto que estamos desenvolvendo, pegamos 5 gramas de um organismo em Fernando de Noronha. A partir daí, conseguimos multiplicar em laboratório e podemos ficar anos sem precisar de uma nova amostra”.
Crescimento acelerado
Carillo admite que todo esse processo de pesquisa de microrganismos em biomas naturais demanda alto investimento. Mesmo assim, a empresa tem conseguido resultados que sustentam esses aportes.
No ano passado, a Apoena fechou com um faturamento de R$ 26 milhões, e segundo Carillo, a empresa consegue dar lucro.
“Para este ano, esperamos um crescimento entre 30% e 35%, com faturamento na casa de R$ 36 milhões, R$ 37 milhões”, conta.
A Apoena atua exclusivamente no mercado B2B, ou seja, tudo que é desenvolvido tem como destino final a indústria de bioinsumos, sem venda direta ao produtor.
“O mercado está difícil, mas conseguimos lançar alguns produtos, fizemos parcerias importantes com grandes empresas”, conta o CEO.
Ele acredita que o desenvolvimento de novos produtos, especialmente com essa prospecção em biomas brasileiros, pode multiplicar o faturamento da companhia nos próximos anos.
“É difícil fazer uma projeção mais objetiva antes de fazer os testes no campo. Mas a razão por trás dos investimentos é a perspectiva de lançar produtos inovadores no mercado, que vão se diferenciar dentro do volume cada vez maior de registros de bioinsumos no mercado brasileiro”.
Resumo
- Apoena Biotech explora biomas como Amazônia, Fernando de Noronha e Caatinga para desenvolver novos bioinsumos agrícolas
- Produto mais avançado, originado em Noronha, está em fase de testes de campo e pode chegar ao mercado em dois anos
- Apoena projeta crescimento de até 35% em faturamento, apostando em inovação e parcerias no mercado B2B