Um verdadeiro desfile da banca nacional e internacional é o que se encontra no rol de credores listados pela Raízen no pedido de homologação de seu plano de recuperação judicial, protocolado na noite da terça-feira, 10 de março, na Justiça de São Paulo.
Mas há também um grande número de pessoas físicas, investidoras nos seus CRAs, anonimamente representadas por instituições financeiras.
Em reais, dólares ou euros, seus créditos com a empresa somam exatos R$ 65.140.520.079,93 e agora serão alvo de uma estratégia de quitação que deve incluir, entre as alternativas estudadas, descontos e conversão para novos títulos de dívidas ou em participação acionária da companhia.
Segundo a Raízen informa no documento, praticamente metade das instituições arroladas já fez uma adesão prévia à RE. São 17 nomes, entre grandes casas bancárias e grupos de bondholders (detentores de títulos da dívida da companhia em dólares), que aparecem nessa condição, representando R$ 30,7 bilhões, ou 47,2% do total das dívidas.
Outras 13 instituições, incluindo bancos, distribuidoras de títulos e securitizadoras, aparecem na lista como ainda não aderentes, formando os R$ 34,3 bilhões (ou 52,8%) restantes.
Nesse grupo estão três dos cinco maires credores: o Bank of New York Mellon, que tem quase R$ 18,8 bilhões arrolados na categoria de avalosta de bonds, a Tru Securitizadora, com R$ 6,43 bilhões, e a Pentagono DTVM, com outros 6,35 bilhões.
Somente eles, portanto, somam um montante quase R$ 1 bilhão superior ao total ao dos apoios, o que indica o seu peso nas negociações que devem prosseguir, agora sob a sombra da RE.
Entre as grandes grifes do mercado financeiro global, a Raízen já conquistou apoios de peso. JP Morgan Chase (R$ 789 milhões), Bank of America (R$ 912 milhões), Morgan Stanley (R$ 584 milhões), por exemplo, já se comprometeram com o plano da companhia.
Na relação dos bancos internacionais, os maiores credores aderentes são o francês BNP Paribas (R$ 3,06 bilhões), o holandês Rabobank (R$ 2,24 bilhões) e o japonês Sumitomo Mitsui Banking Corporation (R$ 1,95 bilhão).
Também nessa lista estão gigantes brasileiros. O Bradesco tem a maior exposição (R$ 2,09 bi), seguido de Itaú BBA (R$ 1,24 bi) e Banco do Brasil (R$ 1,03 bi).
Com quase R$ 7,5 bilhões em créditos, os detentores de bonds globais da Raízen que já aderiram ao plano aparecem divididos em sete grupos ad hoc, elencados conforme os vencimentos de seus títulos, que variam de 2027 a 2054.
Do lado dos credores que não declararam apoio à empresa também há nomes internacionais relevantes, como Goldman Sachs, Deutsche Bank, Macquarie Bank e Bank of China, e os brasileiros BTG Pactual e XP Investimentos.
Do total de R$ 65 bilhões sujeitos à RE, cerca de R$ 40 bilhões se referem a dívidas contraídas em dólares. Outros R$ 22 bilhões são em reais e os restantes R$ 3 bilhões, em euros.
A Raízen aponta na lista detentores de dívidas relacionadas a captações feitas através de CRAs e debêntures. Segundo um levantamento feito pela plataforma Vitrify, a companhia possui R$ 11,4 bilhões em emissões ainda vigentes, sendo metade em cada tipo de operação.
De acordo com o estudo, são emissões com perfil corporativo, sem garantias adicionais, o que as iclui no perfil quirografário dos créditos sujeitos à RE. Um total de R$ 600 milhões dessas dívidas tem vencimento em março de 2026 e outros R$ 352 milhões, em junho de 2027. O restante tem vencimentos com maior prazo, entre 2028 e 2039.
Na lista dos credores que não aderiram, pelo menos por equanto, ao plano de RE está a distribuidora de títulos Pentagono. Ela aparece ali porque é, ao lado da Planner, a agente fiduciária dos CRAs emitidos pela Raízen.
Boa parte dessas emissões de CRAs foi pulverizada, segundo a Vitrify, estando hoje nas carteiras de pessoas físicas (em algumas emissões, cerca de 60% e, em outras, mais de 90%), através de fundos vinculados a instituições financeiras.
“Isso que pode dificultar aprovações de condições de reestruturação dada a eventual dificuldade de coleta de votos em futuras assembleias”, aponta Daniel Magalhães, co-fundador da Vitrify.
Já em relação às debêntures, o levantamento, baseado nos últimos informes trimestrais disponíveis na CVM, indica que entre os gestores com exposição aos títulos da Raízen estão BB Gestão, Santander, BTG, Galt, Porto Seguro, Douro Capital, ORIZ, XP, Itau, Asset1, Valora, G5, Absolute, Lakewood, Vinland e Credit Suisse.
A Vitrify ressalva, entretanto, que, como as informações das carteiras dos fundos são disponibilizadas trimestralmente, parte ou a integralidade das posições podem ter sido vendidas pelas gestoras.