Cascavel (PR) - O quadro já conhecido – produtores rurais em dificuldades financeiras, juros em nível bastante restritivo e oferta de crédito mais escassa – não vem facilitando a vida das indústrias de insumos agrícolas no Brasil. Mas não se pode dizer que a situação é a mesma em todas as empresas.

Na paulista Ihara, por exemplo, o momento é de pleno crescimento. A empresa - criada e sediada no Brasil, mas que tem no cap table apenas que é brasileira, grupos japoneses (Nippon Soda, Mitsubishi Corporation, Kumiai Chemical, Mitsui Chemicals Crop, Nissan Chemical e Sumitomo Corporation) - teve expansão maior que a do mercado no ano passado e pretende crescer mais de 20% neste ano para voltar a faturar US$ 1 bilhão.

"Apesar dos desafios, a gente tem visto que o produtor vem avançando em novas áreas e, em paralelo, também tem tido um nível de adoção mais forte. Nossa expectativa de crescimento é devido ao ânimo do agricultor", explica Lucas Botelho, diretor comercial nacional da Ihara, que conversou com o AgFeed durante a realização do Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), que abriu o calendário de eventos do agro em fevereiro.

No ano passado, o faturamento da empresa foi de US$ 817 milhões, 11,9% a mais que os US$ 730 milhões registrados em 2024. "Crescemos 10% em relação ao mercado e 11% em volumes de produtos vendidos", diz Botelho.

Com isso, a ideia da empresa é de superar  a marca de US$ 1 bilhão em faturamento, voltando ao nível de receita que a companhia havia alcançado até 2022, mas que viu derreter com as dificuldades crescentes no campo a partir de então.

Já no ano passado a ideia era atravessar a casa do bilhão de dólares, mas as condições de mercado postergaram para este ano a cifra.

Botelho avalia que o montante almejado é possível de ser realizado porque a fatia de mercado da Ihara ainda é pequena. "A gente tem cerca de 5% de participação do segmento de agroquímicos. Nossa base é baixa e a gente entende que tem portfólio para buscar esse crescimento", afirma.

Com mais de 60 produtos no catálogo para atender 100 culturas diferentes, a Ihara continua focando especialmente na comercialização de produtos destinados às culturas de soja, milho e cana-de-açúcar.

Mas Botelho atenta para uma nova cultura que vem se tornando mais relevante na estratégia comercial da companhia: as pastagens.

"A Ihara não participava do mercado de pastagem até três, quatro anos atrás. Começamos a passos lentos, mas com uma estratégia forte. E, no ano passado, tivemos um crescimento fantástico nessa cultura", conta o executivo.

O avanço recente se deve à melhoria de acesso comercial, fazendo com que os produtos da Ihara de fato chegassem aos pecuaristas. "A gente começou a fazer uma rede de distribuição que nos deu esse acesso", afirma.

O acesso indica se um produtor usa pelo menos um produto Ihara. Hipoteticamente, se 10 agricultores responderam a pesquisa da Kynetec, consultoria que faz avaliações de mercado, e 5 alegaram que usam pelo menos um produto Ihara, isso significa que a companhia tem 50% de acesso.

Neste ano, um dos focos comerciais da Ihara é justamente melhorar o percentual de acesso, hoje em 55%, segundo Botelho. “Tem um gap grande de avanço para o nosso produto chegar ao consumidor", afirma.

Em paralelo, a companhia pretende consolidar tecnologias lançadas nos últimos anos, como como um inseticida para combater insetos mastigadores, um fungicida, um herbicida premium para a cultura do milho, além de mais insumos biológicos.

"A gente começou a introduzir essas tecnologias, mas ainda está longe de uma maturidade. E neste ano a gente acredita que vai ter uma curva mais ascendente por ter construído um terreno mais sólido no primeiro e no segundo ano de lançamento dessas tecnologias recém lançadas", diz.

Resumo

  • Mesmo com crédito restritivo e produtores pressionados financeiramente, a Ihara cresceu acima do mercado em 2025, elevando o faturamento em 11,9%, para US$ 817 milhões e projeta avanço superior a 20% neste ano para voltar ao patamar de US$ 1 bilhão em receita
  • Com cerca de 5% de participação no segmento de agroquímicos e mais de 60 produtos para 100 culturas, a companhia aposta em ampliar acesso e fortalecer a presença em soja, milho e cana, além de acelerar a expansão em pastagens
  • A estratégia para sustentar o crescimento também passa pela consolidação de tecnologias recentes