Após um ano marcado por queda de preços das commodities e incertezas envolvendo a política comercial dos Estados Unidos, a ADM, uma das maiores comercializadoras e processadoras de grãos do mercado, viu seu lucro líquido tombar 40% em 2025.

Os resultados foram divulgados nesta terça-feira, dia 3 de fevereiro, e contemplam os dados do quarto trimestre de 2025 e do ano como um todo.

Nos últimos três meses de 2025, o lucro líquido da companhia foi de US$ 456 milhões, queda de 19,5% frente ao mesmo período de 2024. O lucro líquido ajustado foi de US$ 422 milhões, 23,2% a menos na comparação interanual. Trata-se do pior resultado para o período desde 2019, segundo a Reuters.

No ano, a companhia teve um lucro líquido de US$ 1,078 bilhão em 2025, ante 1,800 bilhão em 2024, queda de 40,1%. O lucro líquido ajustado do ano, por sua vez, foi de US$ 1,660 bilhão, recuo de 29%. O lucro por ação foi de US$ 2,23 e o lucro ajustado foi de US$ 3,43.

Houve quedas no lucro de praticamente todos os segmentos da companhia no acumulado do ano.

Na divisão de Serviços Agrícolas e Oleaginosas, o lucro operacional no ano foi de US$ 1,6 bilhão, queda de 34% frente aos US$ 2,4 bilhões de 2024.

O resultado, diz a ADM, reflete exportações menores da América do Norte, comércio internacional mais desafiador e vendas mais fracas dos produtores, que reduziram estoques diante de preços moderados ao longo de 2025, e margens comprimidas no esmagamento, além da ausência de indenizações relevantes de seguros.

Na área de Soluções de Carboidratos, houve queda de 12%, passando de US$ 1,3 bilhão em 2024 para US$ 1,2 bilhão, em função de uma menor demanda global por amidos e adoçantes, afetando tanto volumes como margens, além de custos mais elevados do milho na região EMEA, em função de problemas de qualidade na safra. O resultado foi parcialmente compensado por boas margens do etanol.

Já a área de Nutrição teve um incremento de 8%, passando de US$ 386 milhões para US$ 417 milhões, impulsionado pelo segmento de Aromas e recuperação do segmento de Ingredientes Especiais.

“O ano de 2025 foi marcado por um cenário comercial global dinâmico, e a incerteza contínua em torno da política de biocombustíveis dos EUA criou um ambiente operacional desafiador para a ADM. Apesar desses obstáculos externos, as unidades de negócios demonstraram uma resiliência impressionante e alcançamos progressos significativos nas áreas que controlávamos. Avançamos em iniciativas de otimização de portfólio, executamos ações direcionadas à redução de custos, melhoramos a eficiência das fábricas, geramos um forte fluxo de caixa e atingimos um importante marco de segurança, registrando a menor taxa de lesões da história”, disse o presidente do Conselho e CEO, Juan Luciano.

Para 2026, a companhia projeta um lucro por ação de aproximadamente US$ 3,60 a US$ 4,25. O piso da projeção, segundo a ADM, reflete o adiamento contínuo da política de biocombustíveis nos EUA e margens de esmagamento estáveis, enquanto o teto pressupõe a continuidade da expansão da margem de esmagamento, o progresso na eficiência da produção e o fortalecimento da demanda dos clientes.

A previsão atual, diz a ADM, pressupõe crescimento anual do lucro operacional do segmento de Serviços Agrícolas e Oleaginosas, com melhoria nos fluxos comerciais globais e uma gama de possíveis resultados nas margens de esmagamento.

A previsão também pressupõe que o lucro operacional do segmento de Soluções em Carboidratos permaneça relativamente estável, com volumes e preços menores de amidos e adoçantes compensados ​​por margens maiores de etanol, enquanto o segmento de Nutrição deverá continuar sua trajetória de crescimento orgânico e execução mais robustos.

“Continuamos focados em alcançar uma economia de custos agregada de US$ 500 a US$ 750 milhões nos próximos três a cinco anos, a partir de 2025, e acreditamos que uma maior clareza na política de biocombustíveis, combinada com a evolução do comércio global, deverá proporcionar um ambiente operacional mais construtivo para nós em 2026", afirmou Juan Luciano, CEO da ADM.

Os investidores não reagiram bem aos números apresentados pela companhia. Às 13h30 (horário de Brasília), as ações da ADM recuavam 2,49% na Bolsa de Nova York, com os papéis cotados a US$ 66,36.

Resumo

  • ADM encerrou 2025 com lucro líquido de US$ 1,078 bilhão, queda de 40% ante 2024, pressionada por preços mais baixos, além de incertezas na política comercial e de biocombustíveis dos EUA
  • Para 2026, a companhia projeta lucro por ação entre US$ 3,60 e US$ 4,25, e acredita que maior clareza na política de biocombustíveis deverá proporcionar um ambiente operacional mais construtivo no ano