Bancos públicos, privados e internacionais, além de sementeiras e multinacionais de insumos. Este é o resumo dos setores que figuram dentre os maiores credores do processo de recuperação judicial de R$ 1,3 bilhão em dívidas sujeitas à RJ do Grupo Formoso, empresa do Tocantins com mais de 30 anos de atuação no agro e dona da Uniggel.
Na lista obtida pelo AgFeed, é possível ver como os passivos se dividem entre as empresas do grupo: Sollus Mapito, Fomoso Agropecuária, Formoso Participações, Uniggel Sementes, Uniggel Ração e Óleo e Uniggel Cotton, além dos produtores rurais e sócios do grupo Fausto Garcia, Sérgio Garcia, Ronan Garcia Júnior, Betânia Garcia, Geórgia Lima e Isabel Garcia.
O maior credor é a Caixa Econômica Federal, com um passivo total concursal (e portanto sujeito à RJ), de R$ 165,39 milhões. Desse total, R$ 88 milhões são com a Uniggel Sementes, empresa que concentra a maior parte dos passivos do grupo como um todo: cerca de R$ 745 milhões.
O restante do passivo do banco está distribuído entre os sócios da empresa, com destaque para quase R$ 20 milhões com Fausto Garcia.
O segundo lugar do ranking fica com a multinacional de insumos alemã Bayer, com um passivo de R$ 164 milhões dividido em três dívidas com a Uniggel Sementes.
Na sequência dos credores figuravavam bancos como Santander (R$ 116 milhões), Banco da Amazônia (R$ 95 milhões) e o Banco do Brasil (R$ 73 milhões).
Outras empresas de insumos figuravam no top 10: Syngenta, com passivo de R$ 64 milhões, GDM, com R$ 46 milhões e a Corteva, com dívidas de R$ 42 milhões. Completavam o ranking das 10 maiores dívidas o Rabobank (passivo de R$ 41 milhões) e o Banco Cargill (dívidas de R$ 31,8 milhões).
Enquanto espera a aprovação do pedido de recuperação judicial, o grupo conseguiu uma proteção judicial de 90 dias com a Justiça de Tocantins, como adiantou o site The Agribiz, há duas semanas. A medida tem sido comumente adotada antes da RJ entrar em vigor.
Hoje em dificuldades, o grupo agrícola já chegou a faturar, no auge, R$ 1,5 bi, sendo um terço disso vindo da sementeira. O cenário de crise nas sementeiras atingiu em cheio a empresa, que agora sofre com problemas de liquidez.
Os problemas começaram a aparecer no final do ano passado, quando a Uniggel, por meio de seu gerente de compras, Luiz Fernando Sampaio, enviou uma carta a fornecedores reconhecendo dificuldades em renovar linhas de crédito com bancos públicos como BB e Caixa - dois dos principais credores da RJ.
Além dos R$ 745 milhões de dívidas da Uniggel, grande parte dos R$ 1,3 bi em passivos da RJ estão com o sócio Fausto Garcia (R$ 461 milhões). Outros sócios acumulam dívidas entre R$ 12 milhões e R$ 17 milhões.
Outras empresas do grupo acumulam dívidas menores: Uniggel Ração e Óleo com R$ 17 milhões, Uniggel Cotton com R$ 1 milhão e as outras operações (Formoso Agropecuária, Sollus Mapito e Formoso Participações) só possuem dívidas extraconcursais.
Somado a isso, a Uniggel teve clientes entrando em recuperação judicial, o que apertou ainda mais o caixa. Quem assessora juridicamente o grupo no processo é o escritório de advocacia paranaense Federiche Mincache.
Em seu último posicionamento público, a empresa citou que "a empresa segue em funcionamento regular, mantendo suas atividades operacionais e preservando a confiança construída ao longo de sua trajetória no agronegócio".
"A medida reforça o compromisso do Grupo em assegurar a continuidade de suas operações, com foco na sustentabilidade do negócio e no cumprimento de seus compromissos. O Grupo Formoso reafirma seu compromisso com colaboradores, clientes, parceiros e fornecedores, mantendo a dedicação, geração de renda e empregos, sua função social e o desenvolvimento do setor em que atua", prossegue a nota da empresa.
Resumo
- Bancos públicos, privados e multinacionais de insumos concentram os maiores créditos da RJ de R$ 1,3 bilhão do Grupo Formoso, com Caixa e Bayer liderando a lista
- A Uniggel Sementes responde pela maior parte do passivo, cerca de R$ 745 milhões, enquanto Santander, Banco da Amazônia, BB, Syngenta, Corteva e Rabobank aparecem entre os dez maiores credores
- A crise ganhou força após dificuldades para renovar crédito com bancos públicos e calotes em cadeia de clientes em RJ, apesar de o grupo já ter faturado até R$ 1,5 bilhão no auge