Os irmãos Bruno e Bernardo Melgaço Vaz costumavam ouvir do pai que a diversificação dos negócios era a melhor antídoto contra momentos de crise. Hoje no comando do Grupo Cazanga, fundado há 47 anos pelo patriarca da família, Plácido Ribeiro Vaz, eles demonstram que prestaram atenção ao conselho.

De olho em um segmento que tem potencial para crescer 17% ao ano até 2030, eles estão prestes a iniciar mais uma frente de negócios, com a entrada em operação da recém-criada BioCAZ, voltada à produção de insumos agrícolas biológicos.

O grupo tem como principal negócio a mineração de calcário na cidade de Arcos, na região centro-oeste de Minas Gerais, próximo à nascente do Rio São Francisco. Foi ali que a saga familiar começou.

“Nós atuamos nos ramos de indústria química, construção civil e energia, além da mineração de calcário. E agora, estamos entrando na fabricação de biológicos porque somos também produtores rurais”, afirma Bruno Vaz, que conversou com o AgFeed sobre o novo empreendimento e os negócios da família.

O Cazanga investiu R$ 80 milhões na construção de duas unidades de produção para a BioCAz: uma voltada para biológicos à base de bactérias, outra para produtos com fungos. Ainda serão necessários R$ 20 milhões por ano em manutenção e pesquisas.

“Temos áreas de soja, milho, eucalipto, feijão, sorgo, além de pecuária extensiva e intensiva”, conta o empresário. “Começamos a usar insumos biológicos nas lavouras, com ótimos resultados, e resolvemos atuar nesse ramo para que outros produtores tenham acesso a esses mesmos resultados”, diz Bruno Vaz.

A projeção é que as duas unidades fiquem prontas até março. E a BioCAZ já estará apta a começar a produzir, já que a família começou a buscar registros e licenças ainda em 2023.

Vaz diz que nestes dois anos desde o início do processo, o Grupo Cazanga fez testes de venda com alguns produtos. “Inclusive para testar a própria logística envolvida neste tipo de negócio”.

O interesse dos irmãos pelo mercado de biológicos vai aém da BioCAZ. O Grupo Cazanga também é investidor na agtech Symbiomics, que atua com Inteligência Artificial para produzir microrganismos utilizados em lavouras

A startup realizou uma rodada de investimentos em junho do ano passado, que foi liderada pela Catalyst, plataforma de investimentos da gigante Corteva.

Projeções e expectativas

“Começamos a oferecer o produto ao mercado ainda este ano”, afirma Márcio Oshiro, CEO da BioCAZ. Para ele, ainda existe um potencial enorme a ser explorado no mercado de biológicos no Brasil, especialmente em defensivos.

“Os inoculantes já têm uma adesão grande por parte dos produtores e nós vamos oferecer esse produto também. No caso dos defensivos, existem estimativas de crescimento de 17% ao ano deste mercado até 2030. Tem muito potencial”.

Para Bruno Vaz, o grande diferencial da BioCAZ será a experiência da própria família em suas lavouras, e a proximidade com os produtores.

“Não é como vender commodity. É preciso ter técnicos explicando a importância, mostrando resultados já consolidados. E nós teremos um time para isso”, afirma o empresário.

Com isso, o CEO da BioCAZ espera conseguir um faturamento de R$ 20 milhões já nesse primeiro ano de atuação, até chegar a R$ 154 milhões em 2030. A projeção é acumular R$ 400 milhões de faturamento em cinco anos.

Uma das estratégias para atingir esse objetivo é realizar pesquisa e desenvolvimento de novos produtos em parcerias com empresas e instituições públicas.

“Neste momento, estamos com sete novas opções em desenvolvimento, como novas cepas bactericidas e fungicidas, além de nematicidas para lidar com o problema dos nematóides, que hoje atinge praticamente 100% da área plantada do país”, conta Nicolas Casarin, engenheiro agrônomo e responsável técnico da BioCAZ.

Para desenvolver esses novos produtos, a empresa tem parcerias com o Instituto Biológico, tanto em São Paulo quanto em Campinas, a Fundação Araucária, no Paraná, e a empresa de biotecnologia IdeeLab, sediada em Piracicaba, no interior paulista.

Resumo

  • Grupo Cazanga, com negócios que vão do agro à mineração, investe R$ 80 milhões para entrar no mercado de bioinsumos com a criação da BioCAZ
  • Produção começa ainda no primeiro trimestre, focada em biológicos à base de bactérias e fungos, com P&D próprio e parcerias
  • Mercado de defensivos biológicos pode crescer 17% ao ano até 2030, impulsionando a nova estratégia do grupo