A americana ADM, uma das maiores tradings e processadoras de commodities agrícolas do mundo, registrou lucro líquido de US$ 821 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 660% em relação aos US$ 108 milhões obtidos no mesmo período do ano passado.
A receita global avançou 9,6%, para US$ 22,3 bilhões, enquanto o lucro operacional combinado das divisões cresceu 64%, alcançando US$ 1,38 bilhão. O lucro por ação ajustado praticamente dobrou, passando de US$ 0,92 para US$ 1,77.
"Entregamos resultados sólidos no terceiro trimestre, com lucros significativamente superiores aos do mesmo período do ano anterior e crescimento do lucro operacional em todos os segmentos", afirmou Juan Luciano, presidente do conselho e CEO da ADM.
O resultado foi impulsionado principalmente pela recuperação das margens de processamento de oleaginosas nos Estados Unidos, favorecida pela demanda doméstica por biocombustíveis e pelos preços mais elevados da energia.
"Esses resultados foram impulsionados por um ambiente favorável aos biocombustíveis, combinado com nossa ampla presença na América do Norte, que nos proporciona acesso significativo a mercados premium, e pela boa execução de nossa equipe", acrescentou Luciano.
Nos Estados Unidos, a demanda por matérias-primas para biocombustíveis foi estimulada pela definição, em março, das obrigações de utilização de combustíveis renováveis.
A divisão de Serviços Agrícolas e Oleaginosas, responsável pela comercialização e pelo processamento de grãos, registrou lucro operacional de US$ 778 milhões, crescimento de 105% sobre os US$ 379 milhões do terceiro trimestre de 2025.
Apenas o esmagamento de oleaginosas elevou seu resultado operacional de US$ 13 milhões para US$ 311 milhões.
Globalmente, o volume de oleaginosas processadas aumentou 1,6%, enquanto a demanda por farelo de soja permaneceu elevada. Já o lucro operacional dos serviços agrícolas recuou 9%, parcialmente compensado pelo crescimento das exportações de milho e soja da América do Norte.
Atraso no biodiesel
A recuperação do processamento de oleaginosas apresentou diferenças entre as Américas. Segundo a companhia, as margens de esmagamento na América do Sul foram pressionadas pelo atraso nas mudanças da política brasileira de biocombustíveis.
O atraso está relacionado à elevação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel de 15% para 16%, prevista para março de 2026 pela Lei do Combustível do Futuro, mas ainda dependente de aprovação regulatória e testes técnicos.
De acordo com a Safras & Mercado, a mudança pode ocorrer apenas em agosto de 2027. Cada ponto percentual adicional representa demanda potencial de aproximadamente 480 mil toneladas de óleo de soja por ano, o que ajudaria a sustentar as margens de esmagamento no Brasil.
A ADM não divulgou a margem específica de esmagamento de soja no Brasil nem quantificou o impacto financeiro das dificuldades enfrentadas na América do Sul.
Etanol e nutrição
A divisão de Soluções em Carboidratos registrou lucro operacional de US$ 470 milhões, avanço de 40%. O desempenho foi favorecido pelas margens do etanol na América do Norte, sustentadas por incentivos regulatórios, demanda doméstica e exportações.
Na área de Nutrição, o lucro operacional cresceu 3%, para US$ 134 milhões. O segmento de nutrição animal avançou 21%, beneficiado por melhorias operacionais e ajustes realizados no portfólio em 2025. Já a nutrição humana apresentou retração de 3%.
A ADM também reduziu sua previsão de investimentos para 2026, de US$ 1,3 bilhão a US$ 1,5 bilhão para uma faixa entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,3 bilhão.
"Nosso desempenho acumulado no ano e as perspectivas para o quarto trimestre sustentam mais uma elevação da projeção de lucro ajustado por ação para 2026", afirmou Luciano.
Resumo
- Lucro líquido da ADM dispara 660%, para US$ 821 milhões, com recuperação do esmagamento de soja
- Atraso na adoção do B16 no Brasil pressiona margens de esmagamento na América do Sul, diz a companhia
- ADM eleva projeção de lucro para 2026, mas reduz previsão de investimentos globais