As indústrias brasileiras do complexo soja devem processar em 2027 um total estimado em 66 milhões de toneladas da oleaginosa, um avanço de 3,8% em relação ao previsto para este ano.
Isso é o que indica a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que divulgou nesta quinta-feira, 22 de outubro, sua primeira estimativa sobre o desempenho do setor no próximo ciclo.
Para 2026, a associação elevou levemente a projeção de esmagamento, de 63,5 milhões para 63,6 milhões de toneladas, um incremento de 0,2% ante a estimativa de setembro, e manteve a produção de soja em 180,4 milhões de toneladas, com base nos dados da Conab.
O ritmo forte do processamento, segundo a entidade, reflete a demanda doméstica por farelo e óleo, neste caso em função da perspectiva da elevação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil, passando ao B16 em março do próximo ano.
Nas primeiras previsões para a nova safra de soja, a Abiove vislumbra uma produção de 181,6 milhões de toneladas, uma elevação de 0,7% sobre o ciclo 2025/2026. Já as exportações ficariam em 113 milhões de toneladas, recuo de 0,8% ante 2026, além de importações de 900 mil toneladas para suplementar a cadeia.
Segundo a entidade, o processamento de 66 milhões de toneladas deve sustentar a expansão dos derivados, com o farelo alcançando uma produção de 50,8 milhões de toneladas, alta de 3,8%. Desse total, 26,3 milhões serão destinados à exportação (avanço de 4%), e 23,1 milhões ao consumo interno (crescimento de 7,4%).
No óleo, a produção projetada é de 13,27 milhões de toneladas, alta de 3,7%, com exportações de 1,9 milhão e consumo interno de 11,5 milhões, avanço de 4,5%.
O estoque final de soja em 2027 é projetado em 8,19 milhões de toneladas, 6,8% acima do previsto para o fim de 2026, de 7,67 milhões.
No processamento mensal, agosto registrou 5,03 milhões de toneladas, queda de 1,8% ante julho, mas alta de 9% na comparação com agosto de 2025, ajustado pelo percentual amostral.
Já o acumulado do ano mostra que o esmagamento cresceu 8,4% frente ao mesmo período de 2025, somando 38,67 milhões de toneladas.
Nas exportações de 2026, a Abiove reduziu a projeção de embarques de grãos em 1%, para 113,9 milhões de toneladas, e elevou em 8,3% a de óleo, para 1,95 milhão de toneladas, enquanto o farelo segue com exportações estimadas em 25,3 milhões de toneladas.
"O forte ritmo de esmagamento reflete a resposta ágil da nossa indústria à crescente demanda nacional por farelo, essencial para a produção de alimentos, e por óleo, fundamental para a fabricação de biocombustíveis e para as exportações", afirmou Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, em nota.
"Esse cenário consistente de alta no processamento nos prepara estrategicamente para continuar suprindo o país diante da expectativa do aumento da mistura obrigatória de biodiesel para B16, prevista para março."
Resumo
- Abiove projeta processamento de 66 milhões de toneladas de soja em 2027, alta de 3,8% sobre a estimativa para 2026
- Produção de farelo e óleo deve crescer, impulsionada pela demanda interna, pelas exportações e pelo avanço dos biocombustíveis
- Indústria brasileira se prepara para o B16, previsto para março de 2027, enquanto exportações de soja devem recuar 0,8%