A COP31, que será realizada de 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia, acontece em um momento estratégico para a agenda climática global e deve aprofundar discussões sobre financiamento, energia, adaptação e desenvolvimento econômico.

Nesse cenário, o agronegócio brasileiro terá a oportunidade de avançar na discussão de temas que ganharam protagonismo na COP30, como o compromisso de quadruplicar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis até 2035, o fortalecimento das iniciativas de preservação e restauração florestal e a demonstração de que a recuperação de áreas degradadas pode expandir a produção de alimentos e bioenergia de forma sustentável.

O desafio, agora, é converter esse potencial em escala, investimentos e ganhos efetivos de competitividade.

A discussão já não se limita a comprovar que é possível conciliar produtividade e redução de emissões. O foco passa a ser a aceleração dessas soluções por meio de instrumentos financeiros adequados, segurança regulatória e mecanismos que reconheçam e valorizem resultados concretos.

Em um mercado cada vez mais atento à origem dos produtos, à rastreabilidade das cadeias e à intensidade de carbono da produção, a sustentabilidade deixou de representar apenas um diferencial reputacional e passou a ocupar posição central nas estratégias comercial, financeira e industrial das empresas.

Entre os diversos temas que devem compor a agenda da COP31, a transição dos sistemas produtivos terá impacto direto sobre a competitividade das cadeias agroindustriais.

Para o setor, isso significa discutir como ampliar investimentos, reconhecer resultados ambientais e criar condições para que as práticas de menor carbono se disseminem de forma economicamente sustentável.

O tamanho do desafio está bem dimensionado em um estudo desenvolvido pelo CEBDS no ano passado, no âmbito da Coalizão do Agronegócio, e coliderado pela Tereos. Segundo o documento, a agropecuária respondeu por cerca de 30% das emissões líquidas brasileiras em 2023, o equivalente a aproximadamente 480 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Sem ações adicionais de descarbonização, esse volume pode alcançar 790 milhões de toneladas em 2050.

O estudo indica, porém, que a adoção de alavancas já disponíveis pode reduzir as emissões para uma faixa de 160 e 280 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Entre elas estão o avanço de práticas de agricultura regenerativa, o uso mais eficiente de fertilizantes e a ampliação de soluções de baixo carbono já conhecidas pelo setor.

Para que esse potencial se converta em escala, será necessário ampliar o capital catalítico destinado à descarbonização, criar incentivos para produtores que adotem práticas regenerativas e avançar na regulamentação e consolidação do mercado de carbono. Crédito, suporte técnico, mensuração confiável e regras que valorizem resultados comprovados serão determinantes para transformar iniciativas pontuais em um padrão competitivo para toda a cadeia.

Na Tereos, essa agenda se traduz em uma operação orientada por eficiência, circularidade, inovação e governança. A cadeia da cana-de-açúcar oferece um exemplo concreto dessa lógica. Bagaço, palha e vinhaça podem ser reinseridos no processo produtivo como energia, insumo agrícola ou matéria-prima para novas aplicações.

É um modelo que demonstra como reduzir perdas, aproveitar coprodutos e ampliar a eficiência pode gerar valor ambiental e econômico simultaneamente.

O ponto central não é mais discutir se sustentabilidade e produtividade podem caminhar juntas. Essa convergência já é uma exigência de mercado. A diferença, daqui para frente, estará na capacidade de transformar compromissos em indicadores, práticas em resultados comprovados e eficiência ambiental em valor para toda a cadeia.

É nesse campo que se definirá a liderança do agro brasileiro. Não pela promessa de seu potencial, mas pela consistência de sua execução.

Felipe Mendes é diretor de Sustentabilidade, Novos Negócios e Relações Institucionais da Tereos.