As exigências no mercado internacional vão mudando e todos os envolvidos na cadeia de proteína animal buscam se adaptar.
Uma das grandes preocupações do setor de carnes, atualmente, é o possível bloqueio das exportações para a União Europeia a partir de setembro, em função de um questionamento do bloco sobre os critérios usados no Brasil para o uso dos antimicrobianos, incluindo os antibióticos.
A Phibro Saúde Animal, que está entre as maiores do mundo em produtos veterinários e de nutrição, mostrou durante um evento esta semana que está adaptando a estratégia em função desse cenário.
“A gente realmente acompanha as mudanças do setor. Antigamente o foco do produtor era muito a utilização de antimicrobianos. E hoje o consumidor ele pede uma mudança de comportamento da cadeia. A Phibro acompanha essas mudanças e hoje a gente busca trabalhar com soluções alternativas, produtos que diminuam a utilização do antimicrobiano”, disse Bruna Castro, coordenadora de aquacultura da empresa, em entrevista ao AgFeed, durante a Aquishow 2026, em Uberlândia.
O Brasil atualmente não exporta peixes para os europeus em função de diversas barreiras, por isso não é afetado diretamente. Porém, a avaliação do setor é de que, na sequência, outros mercados podem adotar medidas restritivas em relação aos microbianos, acompanhando a UE.
O principal lançamento da Phibro no evento está enquadrado nessa proposta de promover mais a prevenção, evitando doenças e, consequentemente, reduzindo o uso de determinados medicamentos.
A empresa apresentou uma linha de vacinas chamadas de “autógenas”, uma espécie de imunizante “sob medida”, para cada produtor.
Bruna Castro explica que as vacinas comerciais, tradicionais, levam um longo tempo para desenvolvimento e depois para registro junto aos órgãos competentes.
“Nas comerciais há uma demora na liberação, para a utilização de uma vacina, tanto humana quanto animal. Então elas não acompanham a emergência de novos patógenos”, afirmou.
Segundo ela, há diversas bactérias afetando a piscicultura, por exemplo, que não possuem vacina.
“A vacina autógena ela chega para sanar essa dor. Ela é uma vacina personalizada, customizada para cada cliente”.
Uma equipe da multinacional vai até a propriedade rural coletar amostras dos animais, fazer um diagnóstico e leva para o laboratório.
“A partir do laudo a gente identifica qual que é o principal desafio sanitário daquele produtor. A partir dali a gente senta com ele e faz uma composição a quatro mãos daquela vacina”, explica.
Na prática, a vacina é produzida com a própria cepa encontrada na propriedade onde houve uma doença. Essa tecnologia tem sido utilizada não apenas para os peixes, mas também em suínos.
Alberto Inoue, diretor da unidade de negócios de monogástricos da Phibro, disse ao AgFeed que a receita do segmento aumentou 13% em 2025, na comparação com o ano anterior. Os monogástricos (aves, suínos e aquacultura) respondem por 60% do negócio brasileiro.
“Mas a receita com vacinas autógenas no ano passado aumentou duas vezes em meia”, ressaltou.
A piscicultura, dizem os executivos, é a proteína animal que mais cresce nos últimos anos, o que também vem sendo registrado na Phibro. No segmento de monogástricos, os peixes já representam 4% da receita, mas a atuação da empresa no setor é mais recente. Inoue diz que é factível chegar a 8%.
No começo, a companhia oferecia apenas um produto, que era justamente um microbiano. Agora aposta em portifólio mais amplo, com crescente ênfase nas “soluções alternativas”, não apenas as vacinas autógenas, mas também aditivos nutricionais, imunomoduladores e redutores de impacto de estresse.
Além do peixe do Brasil, onde predomina a tilápia, a empresa também tem forte presença em mercados como a produção de salmão, no Chile.
Bruna Castro diz que a expectativa com a chegada das autógenas da Phibro é otimista porque está trazendo um diferencial em relação a outras empresas que também anunciaram a tecnologia no Brasil.
Segundo ela, alguns produtores relatam ter tido experiências ruins com vacinas autógenas. A proposta agora é convencer os clientes de que, no modelo da Phibro, com acompanhamento desde a coleta até a produção, a tecnologia funciona.
A empresa admite que os microbianos ainda representam praticamente metade da receita, mas a intenção é gradualmente reduzir essa proporção. “A gente quer fazer com que a maior parte da receita venha dos preventivos, que são os aditivos nutricionais e as vacinas autógenas”, afirmou Castro.
Resumo
- Phibro Saúde Anima está investindo em produtos alternativos, como vacinas autógenas, "customizadas" para cada produtor, para ajudar na redução do uso de antimicrobianos
- Empresa contabilizou aumento de 13% nas vendas de produtos veterinários para aves, suínos e aquacultura
- Nas vacinas autógenas, a receita quase triplicou, principalmente em peixes e suínos, segundo os executivos