A Bolsa de Nova York ainda nem havia aberto na manhã desta quinta-feira, 6 de fevereiro, mas os investidores já precificavam os resultados fracos da fabricante de máquinas agrícolas AGCO, dona das marcas Massey Ferguson, Valtra e Fendt.

No pré-market, as ações da AGCO caíam 2,99%, segundo a plataforma Barchart, refletindo o desempenho enfraquecido da companhia, que revelou seus números do quarto trimestre de 2024 e do ano como um todo, confirmando a desaceleração dos negócios – tendência que não se restringe à empresa, mas é percebida em todo o setor de máquinas agrícolas.

Nos últimos três meses de 2024, a AGCO registrou uma queda de 24% em suas vendas líquidas na comparação com 2023, totalizando US$ 2,9 bilhões no período.

No consolidado do ano, a queda foi um pouco menor, mas também signficiatva, alcançando 19,1%, com as vendas representando US$ 11,7 bilhões.

As projeções da AGCO para 2025 indicam uma nova queda nas vendas líquidas, estimadas para este ano em US$ 9,6 bilhões, refletindo volumes de venda mais baixos, preços relativamente estáveis e câmbio desfavorável.

A companhia projeta ainda que sua margem operacional ajustada fique na faixa entre 7% e 7,5%, mais baixa que a margem de 8,9% registrada em 2024, refletindo o impacto da redução nas vendas, menor volume de produção, maior controle de custos e investimentos moderadamente menores em engenharia. O lucro por ação é projetada entre US$ 4,00 e US$ 4,50 neste ano.

Regionalmente, a AGCO também viu suas vendas caírem de forma expressiva. Nos três meses finais de 2024, as vendas líquidas da empresa caíram 38,7% na América do Norte, maior mercado da companhia, passando de US$ 891,7 bilhões no mesmo período de 2023 para US$ 546,8 bilhões.

Houve recuo também na América do Sul, o segundo maior mercado da AGCO, que registrou venda líquida de US$ 282 milhões no período, queda de 31,6%.

A queda se espalhou pelos recortes APA (sigla para Ásia, Pacífico e África), com receita de US$ 175,7 milhões (-26,2%), e EME (sigla para Europa e Oriente Médio), com receita de US$ 1,8 bilhão (-16,7%).

A companhia registrou uma redução generalizada nas vendas de máquinas ao redor do mundo também no acumulado do ano.

O maior recuo na receita veio da América do Sul, que anotou uma retração de 41% no período, totalizando US$ 1,3 bilhão. Também houve queda nas demais regiões: América do Norte (-24,0%), APA (-22,8%) e EME (-9,6%).

Para atenuar a demanda enfraquecida do setor, o CEO da AGCO, Eric Hansotia, prometeu a continuidade da estratégia de reestruturação da companhia, que já vinha sendo sendeo executada ao longo de 2024.

"Em 2025, continuaremos a executar nossa estratégia ‘Farmer-First’, fortalecida por ajustes no portfólio e ações agressivas de controle de custos, incluindo nosso programa contínuo de reestruturação", afirmou no press release com os resultados.

No ano passado, a companhia fez diversas movimentações para enxugar seu tamanho e melhorar a produtividade: anunciou que iria demitir 6% de toda sua força de trabalho no mundo, vendeu uma unidade de equipamentos para armazenagem por US$ 700 milhões, mas ao mesmo tempo, investiu US$ 2 bilhões em uma joint-venture com a empresa de agricultura digital Trimble.

"Esperamos que esses esforços minimizem o impacto da demanda mais fraca no setor, ajudando a entregar margens operacionais ajustadas bem acima dos níveis registrados em ciclos anteriores de baixa."